domingo, 29 de janeiro de 2017

Pontes no lugar de muros!

Excelente reflexão por Magui Baptista
Muitíssimo obrigado, Magui  

Venho me perguntando sobre o assunto da semana. O muro do Sr. Trump! 
O que é um muro? 
O que significa um muro? 
Um muro pode servir como proteção para conter desabamentos, para demarcar propriedade privada, para questões até religiosas como o Muro das Lamentações. As Muralhas da China para proteção de território e o Muro de Berlim, entre outros só mostraram tempos depois um grande equívoco para a humanidade. 
Nenhum muro constrói nada. Pelo contrário, excluí, desagrega, hostiliza povos, habitantes, sentimentos, cidades e países. 
O que podemos pensar de um homem que traz em si esse traço de exclusão tão grande, para o seu país e para a comunidade internacional? 
Que tempos são esses em que ele vive dentro de si, e que tem mostrado já nesse seu começo, que ele está parado no tempo da ignorância para os acordos, os tratados de paz, de boa convivência, de responsabilidade ante os problemas graves e comuns do nosso mundo?
Que gosto bélico e separatista com os habitantes do seu próprio País e agora para com os outros Países. 
Para qual aprendizado ele foi eleito e que iremos aprender, com a sua cabeça e suas atitudes para os próximos 4 anos?
Não podemos nos eximir dos nossos eleitos. Essa questão enfrentamos aqui há tempos. 
O que fazer além de nos indignarmos em casa?
O que a Marcha das Mulheres fez. A participação da sociedade é um sentimento, são razões vivas para denunciarmos injustiças, corrupção e desatinos beligerantes. 
Seja lá contra atos do Trump, ou seja, aqui contra governos corruptos, nós precisamos dizer presente todos os dias para com o nosso País. 
Nós cidadãos é que o representamos nas ruas!
Nós cidadãos é que devemos mostrar o que queremos pela união de idéias, de sentimentos e uma governança compromissada com o bem e a prosperidade para todo o povo.
Não, não serão apenas palavras se transformarmos em ação clamando nas ruas.
Toda mudança leva um tempo, um esforço e um sacrifício para chegar a um amadurecimento. 
A paz e a união de idéias e esforços, são uma construção diária. Temos um bem dentro de nós, mas
o conflito, a guerra, a discórdia e a intolerância, são a nossa "moeda" de troca em todas as relações em todo o mundo. 
E o muro de hoje será a grande lamentação de amanhã! 
O muro de hoje será o sofrimento infelizmente já de agora para famílias, cidades e para os Países que já aprenderam que divergências e intolerâncias se resolvem construindo pontes e derrubando a segregação. 
Que possamos também refletir sobre nossos muros internos que nos fazem sofrer, para podermos construir as pontes que tanto necessitamos em nossas vidas.



domingo, 6 de novembro de 2016

A ousadia do Mal e a passividade do Bem

Estes dias eu venho acompanhando reportagens a respeito das regiões de conflitos no Oriente Médio, principalmente aquelas onde o terrorismo possui domínio territorial. E milhares de pessoas que tentam fugir dessa guerra buscando oportunidades em outros Países, principalmente os Europeus. Fico chocado com tamanha maldade, com os diversos abusos que ocorrem com mulheres e crianças. Mulheres vendidas, crianças arrancadas de suas famílias onde meninas sofrem todo tipo de violência e meninos separados ainda muito jovens para o exército terrorista, ou seja, são "culturalizados" com uma ideologia perversa e distorcida, principalmente da religião, para que isso se torne suas verdades, suas missões de vida. É de impressionar tamanha ousadia e disposição do terrorismo que transfere para essas crianças o conceito da ignorância e com ela o ódio, o preconceito, a intolerância, a exclusão, a indiferença com a vida, o desrespeito com a liberdade, com a "ética" e com as "virtudes". Desde cedo aprendem a atirar e utilizar todo tipo de armamento para tornarem-se soldados da "causa", que na verdade se transformarão em assassinos profissionais. 
E aqui no Brasil, por exemplo, não é muito diferente. O “Estado do crime” também vem se estabelecendo, de forma competente. Nos morros e periferias conseguem através da ausência da "civilidade" recrutar, culturalizar e treinar muitos jovens formando também seu próprio exército. Sua influência saiu dos becos, das esquinas, das cadeias e, sem pedir licença, invadiu e misturou-se nas relações sociais. Infelizmente essa cultura distorce e engana a muitos provocando inversão de muitos "valores essenciais" (conseguiu transformar a ignorância em virtude – a ignorância virou moda). A culturalização do crime faz com que ele se torne normal!  
É espantoso como o "mal" é determinado, arrojado, engenhoso, ativo e valente. Ele avança, invade (não pede licença), surpreende, domina e "vence". O mal nunca descansa! (estou falando de uma visão concreta, de uma realidade concreta, não estou falando de religião ou de espiritualidade). Enquanto que o "bem", muitas vezes é passivo, talvez porque carrega consigo uma esperança (enraizada) de que a “justiça divina” um dia vencerá (não digo que pensar desta forma seja errado, mesmo porque não faço críticas à fé das pessoas). O mal carrega consigo a ignorância.  Difunde-se através da ignorância, culturaliza as massas através da ignorância e através dela se estabelece. Trás consigo a tirania e a escravidão: o engano, a estagnação, o conformismo, o fechamento, a indolência, a indiferença, o preconceito e consigo a intolerância e a violência. 
Mas, infelizmente a ignorância, contudo, carrega o discurso de que “as coisas são sempre assim. De que sempre foi assim, porque está determinado, ou porque o mundo é assim "do maligno”, ou porque o homem é mal por natureza e temos que nos conformar com tudo isso". Cria, historicamente, nas sociedades o conceito de “normalidade” através do sofisma. 
É necessário que haja mais inquietações e avidez para a construção de novos saberes que carreguem virtudes que possam transformar a visão das pessoas através de uma educação permanente. Um saber que possa gerar consciência permanente: a consciência de sua realidade, de sua existência nesta realidade, de como estar sendo nesta realidade, da forma como interfere nesta realidade e, principalmente, dos seus equívocos identificados nesta realidade. Mas infelizmente o “bem”, muitas vezes dorme, cochila, caminha vacilante (distraído), tropeçando naquilo que ignora, naquilo que não se interessa, porque tem, muitas vezes, seus olhos fechados para aspectos fundamentais para a construção de uma sociedade mais saudável, ou seja, uma sociedade mais esclarecida, consciente da importância de se formar indivíduos, através de uma educação sóbria, conhecedores de seus direitos e praticantes de seus deveres, conscientes da importância do "outro". 
O mundo precisa de mais pessoas conscientes e interessadas em promover o bem (militantes da ética, da paz e do respeito absoluto pelo outro), com mais ousadia e empenho do que aqueles que praticam o mal. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Violência, humanização e respeito

A violência é um comportamento de fraqueza. Um ato covarde de quem não tem força de argumentação e equilíbrio. Um comportamento de quem ainda não possui suas "faculdades cognitivas desenvolvidas" (se é que a pessoa sabe o que significa isto). Um equívoco na formação do caráter. Uma atitude de quem ainda não aprendeu que a violência é uma cultura ou comportamento primitivo, praticado por aqueles indivíduos que ainda não conheciam ou conhecem outra forma de comunicação (como os animais. Haja vista, os animais não praticam covardia. A prática covarde é "humana"). Pessoas que praticam a covardia da violência (seja da ordem que for) para “resolver problemas” ou “prevalecer diante de um conflito” possuem deficiências gravíssimas em seu processo educacional (infelizmente ainda são milhões – não estou dizendo que a pessoa não tenha que se defender de um ato de covardia. Ela precisa se defender). Estas pessoas ainda não aprenderam que uma das virtudes do “humano” é sua capacidade de enxergar o outro, reconhecê-lo e aprender que ele (o outro) é seu Limite. Que a integridade do outro é sua “Moral”, seu “Código de Ética”. Não aprendeu que o Respeito Absoluto pelo outro é a sua Lei, e que em nenhum momento pode ser violada.
Cegueira Moral
Enquanto a violência for justificada ela nunca perderá força, nunca deixará de ser reforçada. Enquanto as pessoas não se conscientizarem de que esta prática não pode ser mais aceitável, enquanto os pais acharem que a “palmada” é um instrumento justificável de correção, e não através da força do diálogo e bons exemplos, enquanto as pessoas continuarem praticando intolerância e transferindo essa herança para seus filhos, essa prática primitiva e covarde não acabará. E quem presencia ou observa de perto uma agressão covarde e não faz nada para impedir, é tão covarde quanto o agressor! Melhor que nem se aproxime, melhor que nem olhe, porque se for omisso estará reforçando e sendo conivente com esse comportamento nocivo, ultrapassado e equivocado.

Nós como humanos ainda precisamos aprender o conceito de ser “humano”, ou seja, a oportunidade de um segundo olhar, de conhecer o outro e me reconhecer nele (conceito literal de respeito). E na medida em que o "humano" me permite um "segundo" olhar ou uma "nova leitura", consequentemente a minha visão vai sendo corrigida e aperfeiçoada (como uma escama que cai dos olhos. É como corrigir uma visão desfocada. Isto pode ser um conceito de Humanização). E que este atributo de “humanidade” permita nos distanciarmos da escuridão da ignorância, dos tempos da brutalidade e hostilidade.
Humanizar é aprender a conviver
Mas, infelizmente o que prevalece hoje é uma cultura nojenta: a cultura da ignorância (onde todos estão virtualmente ligados, mas humanamente desligados, todos desconhecidos), onde se exalta a brutalidade, a indiferença e o desrespeito.