domingo, 6 de novembro de 2016

A ousadia do Mal e a passividade do Bem

Estes dias eu venho acompanhando reportagens a respeito das regiões de conflitos no Oriente Médio, principalmente aquelas onde o terrorismo possui domínio territorial. E milhares de pessoas que tentam fugir dessa guerra buscando oportunidades em outros Países, principalmente os Europeus. Fico chocado com tamanha maldade, com os diversos abusos que ocorrem com mulheres e crianças. Mulheres vendidas, crianças arrancadas de suas famílias onde meninas sofrem todo tipo de violência e meninos separados ainda muito jovens para o exército terrorista, ou seja, são "culturalizados" com uma ideologia perversa e distorcida, principalmente da religião, para que isso se torne suas verdades, suas missões de vida. É de impressionar tamanha ousadia e disposição do terrorismo que transfere para essas crianças o conceito da ignorância e com ela o ódio, o preconceito, a intolerância, a exclusão, a indiferença com a vida, o desrespeito com a liberdade, com a "ética" e com as "virtudes". Desde cedo aprendem a atirar e utilizar todo tipo de armamento para tornarem-se soldados da "causa", que na verdade se transformarão em assassinos profissionais. 
E aqui no Brasil, por exemplo, não é muito diferente. O “Estado do crime” também vem se estabelecendo, de forma competente. Nos morros e periferias conseguem através da ausência da "civilidade" recrutar, culturalizar e treinar muitos jovens formando também seu próprio exército. Sua influência saiu dos becos, das esquinas, das cadeias e, sem pedir licença, invadiu e misturou-se nas relações sociais. Infelizmente essa cultura distorce e engana a muitos provocando inversão de muitos "valores essenciais" (conseguiu transformar a ignorância em virtude – a ignorância virou moda). A culturalização do crime faz com que ele se torne normal!  
É espantoso como o "mal" é determinado, arrojado, engenhoso, ativo e valente. Ele avança, invade (não pede licença), surpreende, domina e "vence". O mal nunca descansa! (estou falando de uma visão concreta, de uma realidade concreta, não estou falando de religião ou de espiritualidade). Enquanto que o "bem", muitas vezes é passivo, talvez porque carrega consigo uma esperança (enraizada) de que a “justiça divina” um dia vencerá (não digo que pensar desta forma seja errado, mesmo porque não faço críticas à fé das pessoas). O mal carrega consigo a ignorância.  Difunde-se através da ignorância, culturaliza as massas através da ignorância e através dela se estabelece. Trás consigo a tirania e a escravidão: o engano, a estagnação, o conformismo, o fechamento, a indolência, a indiferença, o preconceito e consigo a intolerância e a violência. 
Mas, infelizmente a ignorância, contudo, carrega o discurso de que “as coisas são sempre assim. De que sempre foi assim, porque está determinado, ou porque o mundo é assim "do maligno”, ou porque o homem é mal por natureza e temos que nos conformar com tudo isso". Cria, historicamente, nas sociedades o conceito de “normalidade” através do sofisma. 
É necessário que haja mais inquietações e avidez para a construção de novos saberes que carreguem virtudes que possam transformar a visão das pessoas através de uma educação permanente. Um saber que possa gerar consciência permanente: a consciência de sua realidade, de sua existência nesta realidade, de como estar sendo nesta realidade, da forma como interfere nesta realidade e, principalmente, dos seus equívocos identificados nesta realidade. Mas infelizmente o “bem”, muitas vezes dorme, cochila, caminha vacilante (distraído), tropeçando naquilo que ignora, naquilo que não se interessa, porque tem, muitas vezes, seus olhos fechados para aspectos fundamentais para a construção de uma sociedade mais saudável, ou seja, uma sociedade mais esclarecida, consciente da importância de se formar indivíduos, através de uma educação sóbria, conhecedores de seus direitos e praticantes de seus deveres, conscientes da importância do "outro". 
O mundo precisa de mais pessoas conscientes e interessadas em promover o bem (militantes da ética, da paz e do respeito absoluto pelo outro), com mais ousadia e empenho do que aqueles que praticam o mal. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Violência, humanização e respeito

A violência é um comportamento de fraqueza. Um ato covarde de quem não tem força de argumentação e equilíbrio. Um comportamento de quem ainda não possui suas "faculdades cognitivas desenvolvidas" (se é que a pessoa sabe o que significa isto). Um equívoco na formação do caráter. Uma atitude de quem ainda não aprendeu que a violência é uma cultura ou comportamento primitivo, praticado por aqueles indivíduos que ainda não conheciam ou conhecem outra forma de comunicação (como os animais. Haja vista, os animais não praticam covardia. A prática covarde é "humana"). Pessoas que praticam a covardia da violência (seja da ordem que for) para “resolver problemas” ou “prevalecer diante de um conflito” possuem deficiências gravíssimas em seu processo educacional (infelizmente ainda são milhões – não estou dizendo que a pessoa não tenha que se defender de um ato de covardia. Ela precisa se defender). Estas pessoas ainda não aprenderam que uma das virtudes do “humano” é sua capacidade de enxergar o outro, reconhecê-lo e aprender que ele (o outro) é seu Limite. Que a integridade do outro é sua “Moral”, seu “Código de Ética”. Não aprendeu que o Respeito Absoluto pelo outro é a sua Lei, e que em nenhum momento pode ser violada.
Cegueira Moral
Enquanto a violência for justificada ela nunca perderá força, nunca deixará de ser reforçada. Enquanto as pessoas não se conscientizarem de que esta prática não pode ser mais aceitável, enquanto os pais acharem que a “palmada” é um instrumento justificável de correção, e não através da força do diálogo e bons exemplos, enquanto as pessoas continuarem praticando intolerância e transferindo essa herança para seus filhos, essa prática primitiva e covarde não acabará. E quem presencia ou observa de perto uma agressão covarde e não faz nada para impedir, é tão covarde quanto o agressor! Melhor que nem se aproxime, melhor que nem olhe, porque se for omisso estará reforçando e sendo conivente com esse comportamento nocivo, ultrapassado e equivocado.

Nós como humanos ainda precisamos aprender o conceito de ser “humano”, ou seja, a oportunidade de um segundo olhar, de conhecer o outro e me reconhecer nele (conceito literal de respeito). E na medida em que o "humano" me permite um "segundo" olhar ou uma "nova leitura", consequentemente a minha visão vai sendo corrigida e aperfeiçoada (como uma escama que cai dos olhos. É como corrigir uma visão desfocada. Isto pode ser um conceito de Humanização). E que este atributo de “humanidade” permita nos distanciarmos da escuridão da ignorância, dos tempos da brutalidade e hostilidade.
Humanizar é aprender a conviver
Mas, infelizmente o que prevalece hoje é uma cultura nojenta: a cultura da ignorância (onde todos estão virtualmente ligados, mas humanamente desligados, todos desconhecidos), onde se exalta a brutalidade, a indiferença e o desrespeito. 

domingo, 10 de abril de 2016

Entre dois caminhos

Existem alguns aspectos que são impedimentos na vida. Um deles que gostaria de destacar diz respeito a um certo tipo de "orgulho". Estou falando daquilo que é negativo, que prejudica, que causa danos, que paralisa, que aprendemos a construir como defesa, para nos protejer do "outro", mas que depois de certo tempo de maturação deveríamos renunciá-lo à medida que vamos nos aperfeiçoando como “humanos”, na medida em que vamos conhecendo a nós mesmos e reconhecendo o outro, suas virtudes e limitações. Acredito que a função da humanidade é de promover o bom convívio através da harmonia construída sobre o nosso aperfeiçoamento como “seres pensantes” e cognitivos, identificando os “lugares” desconhecidos da ignorância, vencendo e superando medos que servem para nos armar contra nós mesmos. A “humanidade” tem a função de desenvolver a mais nobre de suas virtudes: a humildade!
Portanto, vejo que esse orgulho “negativo” é um reflexo da ignorância, não em relação ao outro, mas em relação a nós mesmos. É sinal de fraqueza, de fragilidade e insegurança naquele que se declara forte, seguro, auto-suficiente, que acha que pode viver só e que não precisa de ninguém, e que ainda conserva esse "orgulho" como algo importante e valoroso. Mas na verdade, é um mecanismo que provoca desarmonia, desentendimento, mágoas e solidão. Esse orgulho impede a “humanidade” de continuar se aperfeiçoando, de gerar novas inquietações, de encontrar novas alternativas, de criar novos meios que permitam o melhor relacionamento com o outro e o mundo.
Portanto, podemos escolher entre dois caminhos: do orgulho com um percurso estéril, improdutivo, de desencontros ou da humildade com um percurso fértil, produtivo e aberto de possibilidades, de aproximação e encontros.


Que possamos fazer a melhor escolha!