segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Desconstruindo uma cultura primitiva!



Violência tem o mesmo significado etimológico de violação (violar direitos como a honra, a integridade e a dignidade de outrem). Usar a brutalidade, a vantagem física para, através da coação, da ameaça, do medo e da agressão, obter o domínio e o controle sobre a(s) vítima(s). Violência é uma cultura primitiva, e por ser cultura passa muitas vezes de forma despercebida diante de nossos olhos. É como uma cegueira "cognitiva", um ponto cego na consciência ou uma escama nos olhos que nos prejudica e nem percebemos. Geralmente achamos normal quando as pessoas agridem suas crianças com a justificativa de “educá-las”, ou quando, na escola um garoto é chacoteado (no mínimo) pelos colegas por ser “diferente”, ou até mesmo quando alguém, por achar que foi contrariado ou ofendido, julga o direito de agredir o outro (e muitas vezes culpamos a vítima dizendo: "tá vendo? ele mereceu, quem mandou..."). Esse comportamento nunca pode ser justificado. A violência é sinal de ausência cognitiva, de que a educação falhou e ainda é muito deficiente e equivocada. E a violência doméstica, a agressão contra mulher não é diferente. Infelizmente essa prática é uma doença que assola milhares de famílias causando destruição e deixando feridas profundas que duram a vida toda. E por ser uma cultura, ela é transferida para os filhos (nem todos, e algumas vezes para as próprias vítimas) e perpetuada de geração em geração. 
Chamo a atenção também sobre a necessidade, através da reflexão, de se desconstruir esses paradigmas que são equivocados e nocivos, a fim de caminharmos para uma civilização mais consciente (com um olhar mais sensibilizado, solidário e interessado em promover o bem do outro, essa é minha leitura a respeito de "civilizar"), onde cada um possa aprender e reconhecer as suas mazelas, seus limites, aprender a enxergar o outro, respeitando as individualidades, a liberdade e se constranger com a sua própria ignorância



Romeu Oliveira 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Estamos envolvidos com que tipo de embriaguez?

O que significa estar embriagado?
Segundo alguns dicionários, "embriaguez é a intoxicação aguda e transitória causada pelo álcool ou substâncias de efeitos análogos, causando a perda do raciocínio ou discernimento." 
Será que nos embriagamos somente com o álcool? Ou não estaríamos embriagados também com outros tipos de "bebidas"? Com aquelas que não são tangíveis? Que não enxergamos? Que não têm gosto por não serem consumidas de maneira fisiológica? Que formam nossa personalidade, nosso caráter, nossas apologias, nossas vaidades? Embriagados com o nosso olhar distorcido, cheio de "escamas", de preconceitos, de exclusão, de intransigência, de equívocos? Cheios de mágoas, de ódios, de ciúmes e inveja? Embriagados com nossos medos (nossos fantasmas), com a arrogância, com a violência, com o orgulho que nos torna vazios e estéreis (embriagados com a normalidade!)? Estaríamos embriagados com o conformismo, com as falácias ou sofismas que abraçamos como nossas "verdades", com os sintomas de uma sociedade doente, castigada pelo mecanicismo de um sistema nocivo?
Essas também embriagam, e os efeitos não são provisórios e muitas vezes duram a vida inteira. Nós nos embriagamos pelo que não sabemos, pelo que deixamos de saber e principalmente pelo que nos recusamos saber.
Estamos embriagados com a nossa ignorância!

Por Romeu Oliveira 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A violência é um ponto cego da consciência


Esses dias tive uma conversa com uns amigos à respeito da violência ou da maldade (se faz parte do ser humano ou se é aprendida), e a vejo como um ponto cego na consciência, como uma escama nos olhos, entre outros aspectos inerentes à ignorância. Independente do ser humano já nascer com certas "inclinações ou disposições", eu acredito na capacidade do cognitivo, ou seja, na capacidade que o ser humano tem de aprender e com isso mudar a sua história. Acredito na força de uma educação libertadora; que age como instrumento desbravador que nos arranque da ignorância, que desarma, que serve como canal constante, como uma janela que se abre para a consciência do novo, através da reflexão. Acredito numa educação que ensine o ser humano se perceber, reconhecer as suas imperfeições, desconstruir conceitos inúteis herdados de gerações passadas, na capacidade de se reinventar, de desenvolver um novo olhar para as questões da vida (não estou falando de ser humano ou sociedade perfeita), que o ajude reconhecer seus limites e aprender a importância do respeito absoluto pelo outro

(Mas esse processo deve ser iniciado em casa no limiar da consciência, por pais conscientes, atentos e admiradores do saber e, complementado por uma escola comprometida e capacitada). 

A educação é a cultura que conduz para a paz! 


Por Romeu Oliveira