quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Reflexão sobre o Mito da Caverna de Platão


Excelente reflexão de Magui Baptista 

O Mito da Caverna de Platão! Adorei!
Será que alguém pensa na luz? Afinal ela é tão "comum" e, todos os dias nos aparece ao amanhecer, ao acendermos a lâmpada. O progresso do mundo com a energia elétrica é incalculável, não há dúvidas. Tudo se transformou com a chegada dela pelas oportunidades que gerou em todos os aspectos de uma nova vida. A luz traz visibilidade ao que não se enxergava, aumenta a visão, a verdade sobre o que se vê e até a nova maneira que se pode ver. A luz também acende o desejo e a necessidade de se enxergar mais adiante. Não só curiosidade, mas a própria inquietação para aumentar o seu conhecimento sobre a vida, a ciência, a história, a filosofia. Sim o conhecimento é uma luz. Tira da escuridão da ignorância mentes e almas que caminham por seus raios mundo afora, estudos afora, pesquisas afora em todos os campos, trazendo a toda uma comunidade mundial os seus benefícios, embora ainda não compartilhados por todos, o que é injusto.
E a claridade do conhecer-se? Já conseguimos analisá-la com segurança? Nos mostra Platão nessa imagem do Mito da Caverna que desejar a luz e seguir a luz, em todos os aspectos que conhecemos o seu significado, é uma bússola para caminharmos pelo nosso mundo interno e pela vida que construímos.
Não sabermos como somos, pensamos, sentimos e, portanto agimos, ou não, nos coloca na mais completa escuridão sobre nossa vida. Ou seja, imaginar que ao crescermos não temos ou teremos capacidade de lidarmos de maneira adequada (amadurecida) e saudável com as situações e dificuldades que aparecerem no nosso cotidiano. Caminharemos tateando e cambaleantes e o que traz maior apreensão, só enxergaremos aquilo "que parecer ser", mas jamais o "que é ou o que se é". Portanto, a nossa visão é completamente equivocada sobre nossos sentimentos e atitudes e relacionamentos porque são apenas "sombras" do que realmente é.
Ao nos permitirmos enxergar "essa luz" sobre quem somos e o que somos, sobre a vida e o mundo, é aumentar a capacidade de amadurecimento nas nossas decisões, nas nossas escolhas porque essa luz mostra uma consciência que não existia antes.
A luz é um bem por si só.
A luz está em todo lugar.
A luz é para quem quiser usá-la, segui-la, construir com ela a si mesmo e um novo mundo.
Ao sairmos da escuridão da Caverna o horizonte se abre e se expande à nossa frente para que a evolução do ser humano se cumpra.
Fiat Lux!

domingo, 29 de janeiro de 2017

Pontes no lugar de muros!

Excelente reflexão por Magui Baptista
Muitíssimo obrigado, Magui  

Venho me perguntando sobre o assunto da semana. O muro do Sr. Trump! 
O que é um muro? 
O que significa um muro? 
Um muro pode servir como proteção para conter desabamentos, para demarcar propriedade privada, para questões até religiosas como o Muro das Lamentações. As Muralhas da China para proteção de território e o Muro de Berlim, entre outros só mostraram tempos depois um grande equívoco para a humanidade. 
Nenhum muro constrói nada. Pelo contrário, excluí, desagrega, hostiliza povos, habitantes, sentimentos, cidades e países. 
O que podemos pensar de um homem que traz em si esse traço de exclusão tão grande, para o seu país e para a comunidade internacional? 
Que tempos são esses em que ele vive dentro de si, e que tem mostrado já nesse seu começo, que ele está parado no tempo da ignorância para os acordos, os tratados de paz, de boa convivência, de responsabilidade ante os problemas graves e comuns do nosso mundo?
Que gosto bélico e separatista com os habitantes do seu próprio País e agora para com os outros Países. 
Para qual aprendizado ele foi eleito e que iremos aprender, com a sua cabeça e suas atitudes para os próximos 4 anos?
Não podemos nos eximir dos nossos eleitos. Essa questão enfrentamos aqui há tempos. 
O que fazer além de nos indignarmos em casa?
O que a Marcha das Mulheres fez. A participação da sociedade é um sentimento, são razões vivas para denunciarmos injustiças, corrupção e desatinos beligerantes. 
Seja lá contra atos do Trump, ou seja, aqui contra governos corruptos, nós precisamos dizer presente todos os dias para com o nosso País. 
Nós cidadãos é que o representamos nas ruas!
Nós cidadãos é que devemos mostrar o que queremos pela união de idéias, de sentimentos e uma governança compromissada com o bem e a prosperidade para todo o povo.
Não, não serão apenas palavras se transformarmos em ação clamando nas ruas.
Toda mudança leva um tempo, um esforço e um sacrifício para chegar a um amadurecimento. 
A paz e a união de idéias e esforços, são uma construção diária. Temos um bem dentro de nós, mas
o conflito, a guerra, a discórdia e a intolerância, são a nossa "moeda" de troca em todas as relações em todo o mundo. 
E o muro de hoje será a grande lamentação de amanhã! 
O muro de hoje será o sofrimento infelizmente já de agora para famílias, cidades e para os Países que já aprenderam que divergências e intolerâncias se resolvem construindo pontes e derrubando a segregação. 
Que possamos também refletir sobre nossos muros internos que nos fazem sofrer, para podermos construir as pontes que tanto necessitamos em nossas vidas.



domingo, 6 de novembro de 2016

A ousadia do Mal e a passividade do Bem

Estes dias eu venho acompanhando reportagens a respeito das regiões de conflitos no Oriente Médio, principalmente aquelas onde o terrorismo possui domínio territorial. E milhares de pessoas que tentam fugir dessa guerra buscando oportunidades em outros Países, principalmente os Europeus. Fico chocado com tamanha maldade, com os diversos abusos que ocorrem com mulheres e crianças. Mulheres vendidas, crianças arrancadas de suas famílias onde meninas sofrem todo tipo de violência e meninos separados ainda muito jovens para o exército terrorista, ou seja, são "culturalizados" com uma ideologia perversa e distorcida, principalmente da religião, para que isso se torne suas verdades, suas missões de vida. É de impressionar tamanha ousadia e disposição do terrorismo que transfere para essas crianças o conceito da ignorância e com ela o ódio, o preconceito, a intolerância, a exclusão, a indiferença com a vida, o desrespeito com a liberdade, com a "ética" e com as "virtudes". Desde cedo aprendem a atirar e utilizar todo tipo de armamento para tornarem-se soldados da "causa", que na verdade se transformarão em assassinos profissionais. 
E aqui no Brasil, por exemplo, não é muito diferente. O “Estado do crime” também vem se estabelecendo, de forma competente. Nos morros e periferias conseguem através da ausência da "civilidade" recrutar, culturalizar e treinar muitos jovens formando também seu próprio exército. Sua influência saiu dos becos, das esquinas, das cadeias e, sem pedir licença, invadiu e misturou-se nas relações sociais. Infelizmente essa cultura distorce e engana a muitos provocando inversão de muitos "valores essenciais" (conseguiu transformar a ignorância em virtude – a ignorância virou moda). A culturalização do crime faz com que ele se torne normal!  
É espantoso como o "mal" é determinado, arrojado, engenhoso, ativo e valente. Ele avança, invade (não pede licença), surpreende, domina e "vence". O mal nunca descansa! (estou falando de uma visão concreta, de uma realidade concreta, não estou falando de religião ou de espiritualidade). Enquanto que o "bem", muitas vezes é passivo, talvez porque carrega consigo uma esperança (enraizada) de que a “justiça divina” um dia vencerá (não digo que pensar desta forma seja errado, mesmo porque não faço críticas à fé das pessoas). O mal carrega consigo a ignorância.  Difunde-se através da ignorância, culturaliza as massas através da ignorância e através dela se estabelece. Trás consigo a tirania e a escravidão: o engano, a estagnação, o conformismo, o fechamento, a indolência, a indiferença, o preconceito e consigo a intolerância e a violência. 
Mas, infelizmente a ignorância, contudo, carrega o discurso de que “as coisas são sempre assim. De que sempre foi assim, porque está determinado, ou porque o mundo é assim "do maligno”, ou porque o homem é mal por natureza e temos que nos conformar com tudo isso". Cria, historicamente, nas sociedades o conceito de “normalidade” através do sofisma. 
É necessário que haja mais inquietações e avidez para a construção de novos saberes que carreguem virtudes que possam transformar a visão das pessoas através de uma educação permanente. Um saber que possa gerar consciência permanente: a consciência de sua realidade, de sua existência nesta realidade, de como estar sendo nesta realidade, da forma como interfere nesta realidade e, principalmente, dos seus equívocos identificados nesta realidade. Mas infelizmente o “bem”, muitas vezes dorme, cochila, caminha vacilante (distraído), tropeçando naquilo que ignora, naquilo que não se interessa, porque tem, muitas vezes, seus olhos fechados para aspectos fundamentais para a construção de uma sociedade mais saudável, ou seja, uma sociedade mais esclarecida, consciente da importância de se formar indivíduos, através de uma educação sóbria, conhecedores de seus direitos e praticantes de seus deveres, conscientes da importância do "outro". 
O mundo precisa de mais pessoas conscientes e interessadas em promover o bem (militantes da ética, da paz e do respeito absoluto pelo outro), com mais ousadia e empenho do que aqueles que praticam o mal.