quarta-feira, 8 de junho de 2016

Violência, humanização e respeito

A violência é um comportamento de fraqueza. Um ato covarde de quem não tem força de argumentação e equilíbrio. Um comportamento de quem ainda não possui suas "faculdades cognitivas desenvolvidas" (se é que a pessoa sabe o que significa isto). Um equívoco na formação do caráter. Uma atitude de quem ainda não aprendeu que a violência é uma cultura ou comportamento primitivo, praticado por aqueles indivíduos que ainda não conheciam ou conhecem outra forma de comunicação (como os animais. Haja vista, os animais não praticam covardia. A prática covarde é "humana"). Pessoas que praticam a covardia da violência (seja da ordem que for) para “resolver problemas” ou “prevalecer diante de um conflito” possuem deficiências gravíssimas em seu processo educacional (infelizmente ainda são milhões – não estou dizendo que a pessoa não tenha que se defender de um ato de covardia. Ela precisa se defender). Estas pessoas ainda não aprenderam que uma das virtudes do “humano” é sua capacidade de enxergar o outro, reconhecê-lo e aprender que ele (o outro) é seu Limite. Que a integridade do outro é sua “Moral”, seu “Código de Ética”. Não aprendeu que o Respeito Absoluto pelo outro é a sua Lei, e que em nenhum momento pode ser violada.
Cegueira Moral
Enquanto a violência for justificada ela nunca perderá força, nunca deixará de ser reforçada. Enquanto as pessoas não se conscientizarem de que esta prática não pode ser mais aceitável, enquanto os pais acharem que a “palmada” é um instrumento justificável de correção, e não através da força do diálogo e bons exemplos, enquanto as pessoas continuarem praticando intolerância e transferindo essa herança para seus filhos, essa prática primitiva e covarde não acabará. E quem presencia ou observa de perto uma agressão covarde e não faz nada para impedir, é tão covarde quanto o agressor! Melhor que nem se aproxime, melhor que nem olhe, porque se for omisso estará reforçando e sendo conivente com esse comportamento nocivo, ultrapassado e equivocado.

Nós como humanos ainda precisamos aprender o conceito de ser “humano”, ou seja, a oportunidade de um segundo olhar, de conhecer o outro e me reconhecer nele (conceito literal de respeito). E na medida em que o "humano" me permite um "segundo" olhar ou uma "nova leitura", consequentemente a minha visão vai sendo corrigida e aperfeiçoada (como uma escama que cai dos olhos. É como corrigir uma visão desfocada. Isto pode ser um conceito de Humanização). E que este atributo de “humanidade” permita nos distanciarmos da escuridão da ignorância, dos tempos da brutalidade e hostilidade.
Humanizar é aprender a conviver
Mas, infelizmente o que prevalece hoje é uma cultura nojenta: a cultura da ignorância (onde todos estão virtualmente ligados, mas humanamente desligados, todos desconhecidos), onde se exalta a brutalidade, a indiferença e o desrespeito. 

domingo, 10 de abril de 2016

Entre dois caminhos

Existem alguns aspectos que são impedimentos na vida. Um deles que gostaria de destacar diz respeito a um certo tipo de "orgulho". Estou falando daquilo que é negativo, que prejudica, que causa danos, que paralisa, que aprendemos a construir como defesa, para nos protejer do "outro", mas que depois de certo tempo de maturação deveríamos renunciá-lo à medida que vamos nos aperfeiçoando como “humanos”, na medida em que vamos conhecendo a nós mesmos e reconhecendo o outro, suas virtudes e limitações. Acredito que a função da humanidade é de promover o bom convívio através da harmonia construída sobre o nosso aperfeiçoamento como “seres pensantes” e cognitivos, identificando os “lugares” desconhecidos da ignorância, vencendo e superando medos que servem para nos armar contra nós mesmos. A “humanidade” tem a função de desenvolver a mais nobre de suas virtudes: a humildade!
Portanto, vejo que esse orgulho “negativo” é um reflexo da ignorância, não em relação ao outro, mas em relação a nós mesmos. É sinal de fraqueza, de fragilidade e insegurança naquele que se declara forte, seguro, auto-suficiente, que acha que pode viver só e que não precisa de ninguém, e que ainda conserva esse "orgulho" como algo importante e valoroso. Mas na verdade, é um mecanismo que provoca desarmonia, desentendimento, mágoas e solidão. Esse orgulho impede a “humanidade” de continuar se aperfeiçoando, de gerar novas inquietações, de encontrar novas alternativas, de criar novos meios que permitam o melhor relacionamento com o outro e o mundo.
Portanto, podemos escolher entre dois caminhos: do orgulho com um percurso estéril, improdutivo, de desencontros ou da humildade com um percurso fértil, produtivo e aberto de possibilidades, de aproximação e encontros.


Que possamos fazer a melhor escolha! 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

A cultura do "mal" é a nova moda

Esses dias eu assisti uma entrevista de um policial brasileiro que trabalha na Polícia Norte Americana, onde discorria a respeito das diferenças existentes entre trabalhar lá e no Brasil. Durante a entrevista o policial falava da maneira como são tratados no outro País. Do suporte que recebem e da motivação de exercer a profissão com louvor. Do excelente salário, dos benefícios, de isenções de imposto sobre certas aquisições (descontos sobre compra de imóvel ou carro). Falou do respeito e credibilidade que eles possuem da sociedade (eles são vistos como heróis). Falou também que lá o crime é efetivamente perseguido e combatido, onde o código penal realmente funciona, e quando eles prendem o Estado pune com o rigor necessário. Enfim, eles se sentem satisfeitos com o trabalho que realizam, porque acreditam e observam que a justiça realmente funciona (é claro que em todos os lugares e atividades existam suas falhas).
Agora em relação ao Brasil, ele fez alguns apontamentos desfavoráveis, por exemplo, em relação ao péssimo salário e condições de trabalho que são desmotivadores, e para piorar o policial muitas vezes é visto como bandido (isso porque a marginalidade socializou-se e virou cultura), não é valorizado pela sociedade (é claro que são visíveis as deficiências e fragilidades da polícia brasileira, mas o principal culpado é o Estado, com seus governos incompetentes e mal intencionados). Enfatizou como seria importante o apoio da sociedade (seria um fator motivante para a polícia) e o respaldo do Estado proporcionando estrutura como um salário digno, que honre uma atividade fundamental para o bem estar da sociedade, bem como os recursos necessários para o combate ao crime. Mas infelizmente não é o que acontece, e mesmo assim a polícia está aí, boa ou não, combatendo o crime e arriscando sua vida para defender a sociedade. Eu chego à conclusão de que a polícia juntamente com a educação foi propositalmente abandonada pelo Estado. E quem está se beneficiando com isso?
Uma coisa é certa, a criminalidade se fortaleceu se organizou e se estabeleceu de forma econômica, política e cultural, e tudo isto debaixo dos olhos do Estado.
Em outro aspecto, eu fico impressionado como essa cultura do "mal" tem se manifestado e influenciado a sociedade. E isso acontece em diversos aspectos, e está se refletindo nas relações em geral, através da linguagem, da música, das programações de TV, como as novelas e filmes (o bandido virou herói). Mas a mídia tem sido grande parceira nisto, tem promovido certas figuras deprimentes como grandes formadores de opinião e proporcionado riquezas para muitos. A "cultura" da marginalidade, que antes era restrita somente aos grupos marginais e dentro das penitenciárias, espalhou-se, e socializou-se mudando a visão da sociedade. O “mau” que antes estava distante, agora está perto, visível, ousado, invadiu as relações familiares e está incutido na personalidade desta e das próximas gerações. E podemos enxergar isso no comportamento das pessoas. Perderam a noção de limite, estão mais agressivas, indiferentes e não conhecem mais o significado de "respeito". Desta forma eu não vislumbro boas perspectivas para do futuro, mas com certeza cumpro com o meu papel de pai contribuindo para que meus filhos se tornem bons cidadãos. Em outras palavras, as influências não vêm mais dos "bons", mas, infelizmente daqueles que transmitem apologias do "mal". E essas apologias estão refletidas de diversas formas, onde muitos a representam e que talvez nem saibam. E isso acontece porque a política educacional é deficiente, distorcida e desprezada por um Estado que é dirigido por poderes que se beneficiam com esse contexto. 
Em relação à polícia, que foi constituída para nossa defesa, passou a ser vista como inimiga. E aí está a prova de como a visão da sociedade foi influenciada por essa cultura. Obviamente que há bons e maus dentro da polícia, como em qualquer outro ramo de atividade, mas isto é outra discussão.
Isso provocou grandes danos na sociedade. O ser humano está mais frio e insensível. Não respeita mais a vida. A vida ficou “coisificada”. Em outras palavras, a vida passou a ser qualquer coisa, o outro é qualquer coisa, não tem importância. É como dizer: "A vida do outro está em minhas mãos, eu decido se deixo viver ou morrer".
Há muitas coisas para se fazer neste País, muitas transformações são necessárias, e essas transformações precisam começar no núcleo da sociedade, dentro de casa, no "seio" da família, com mudança de conceitos, de valores. As pessoas precisam aprender a terem um “olhar crítico”, a questionarem aquilo que acreditam, que consideram como "valor" (é preciso começar a medir), e permitir aberturas para um novo saber, para um novo olhar, para novas perspectivas, com o objetivo de conduzir seus filhos pelo caminho do "bem", compromissados com a honestidade e com o respeito absoluto pelo outro. (Romeu Oliveira)