domingo, 3 de janeiro de 2016

Corpo e presença

Se eu não tiver o "coração" para nada me servirá o corpo! 
Se eu não tiver do outro o desejo, a vontade, a escolha de permanecer, o resto não terá significado (De que adianta ter o corpo se não tiver a presença?)

É como manter um passarinho preso. Nós o alimentamos e tiramos a sua sujeira, mas sabemos que não podemos deixar a gaiola aberta, porque ele não está ali por escolha. Negaram-lhe a escolha. E ainda achamos que ele canta! Ele chora... 

Assim acontece com quem não está com o "coração". Tenho
o seu corpo mas não o seu desejo ou a vontade de permanecer. Pode até estar ao lado, mas não está presente.
O egoísmo é tão grande (eu só me importo com o que eu sinto) que me contento apenas com o corpo e não com aquilo que realmente importa: a "presença": o pensamento, o encanto, a alegria, o brilhar dos olhos, a respiração ofegante, a saudade da minha companhia, a vontade de sentir o meu cheiro, de tocar a minha pele e se confortar com o meu abraço. 
Se não for assim, não existe sentido e se eu me conformar somente com o corpo é como me deitar ao lado de um cadáver. 

Por Romeu Oliveira 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Desconstruindo uma cultura primitiva!



Violência tem o mesmo significado etimológico de violação (violar direitos como a honra, a integridade e a dignidade de outrem). Usar a brutalidade, a vantagem física para, através da coação, da ameaça, do medo e da agressão, obter o domínio e o controle sobre a(s) vítima(s). Violência é uma cultura primitiva, e por ser cultura passa muitas vezes de forma despercebida diante de nossos olhos. É como uma cegueira "cognitiva", um ponto cego na consciência ou uma escama nos olhos que nos prejudica e nem percebemos. Geralmente achamos normal quando as pessoas agridem suas crianças com a justificativa de “educá-las”, ou quando, na escola um garoto é chacoteado (no mínimo) pelos colegas por ser “diferente”, ou até mesmo quando alguém, por achar que foi contrariado ou ofendido, julga o direito de agredir o outro (e muitas vezes culpamos a vítima dizendo: "tá vendo? ele mereceu, quem mandou..."). Esse comportamento nunca pode ser justificado. A violência é sinal de ausência cognitiva, de que a educação falhou e ainda é muito deficiente e equivocada. E a violência doméstica, a agressão contra mulher não é diferente. Infelizmente essa prática é uma doença que assola milhares de famílias causando destruição e deixando feridas profundas que duram a vida toda. E por ser uma cultura, ela é transferida para os filhos (nem todos, e algumas vezes para as próprias vítimas) e perpetuada de geração em geração. 
Chamo a atenção também sobre a necessidade, através da reflexão, de se desconstruir esses paradigmas que são equivocados e nocivos, a fim de caminharmos para uma civilização mais consciente (com um olhar mais sensibilizado, solidário e interessado em promover o bem do outro, essa é minha leitura a respeito de "civilizar"), onde cada um possa aprender e reconhecer as suas mazelas, seus limites, aprender a enxergar o outro, respeitando as individualidades, a liberdade e se constranger com a sua própria ignorância



Romeu Oliveira 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Estamos envolvidos com que tipo de embriaguez?

O que significa estar embriagado?
Segundo alguns dicionários, "embriaguez é a intoxicação aguda e transitória causada pelo álcool ou substâncias de efeitos análogos, causando a perda do raciocínio ou discernimento." 
Será que nos embriagamos somente com o álcool? Ou não estaríamos embriagados também com outros tipos de "bebidas"? Com aquelas que não são tangíveis? Que não enxergamos? Que não têm gosto por não serem consumidas de maneira fisiológica? Que formam nossa personalidade, nosso caráter, nossas apologias, nossas vaidades? Embriagados com o nosso olhar distorcido, cheio de "escamas", de preconceitos, de exclusão, de intransigência, de equívocos? Cheios de mágoas, de ódios, de ciúmes e inveja? Embriagados com nossos medos (nossos fantasmas), com a arrogância, com a violência, com o orgulho que nos torna vazios e estéreis (embriagados com a normalidade!)? Estaríamos embriagados com o conformismo, com as falácias ou sofismas que abraçamos como nossas "verdades", com os sintomas de uma sociedade doente, castigada pelo mecanicismo de um sistema nocivo?
Essas também embriagam, e os efeitos não são provisórios e muitas vezes duram a vida inteira. Nós nos embriagamos pelo que não sabemos, pelo que deixamos de saber e principalmente pelo que nos recusamos saber.
Estamos embriagados com a nossa ignorância!

Por Romeu Oliveira